Estátua baiana de acarajé pegou fogo no Centro histórico
De acordo com presidente da Abam Rita Santos, o incêndio também atingiu a parede do memorial e um ar condicionado que ficava no local

A maioria das pessoas que visitam a Bahia, principalmente Salvador, quer provar do acarajé, iguaria tradicional confeccionada pelas baianas típicas, herança da ancestralidade africana. Contudo, a estátua que fazia homenagem a essa rica cultura, que ficava localizada na frente da Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Mingau e Receptivos da Bahia (Abam), no Centro Histórico de Salvador, ficou totalmente destruída após ser incendiada no último sábado (14).
De acordo com presidente da Abam Rita Santos, o incêndio também atingiu a parede do memorial e um ar condicionado que ficava no local. “Ainda não contabilizamos todos os prejuízos, mas com certeza foi grande. Estamos aguardando alguns orçamentos para tentar a restauração do lugar”, disse a presidente.
Em relação ao novo projeto, Rita Santos conta que está aguardando alguns artistas plásticos se manifestarem com interesse para uma nova construção do altar. “Seria muito bom se alguém ou algum órgão se sensibilizasse com nossa causa e nos ajudasse a restabelecer a estátua”.
Ainda segundo a presidente, “enquanto milhares de baianos e turistas tinham devoção pela imagem, faziam pedidos e prestigiavam com fitinhas e orações, apenas uma pessoa ou um grupo, fez essa barbaridade com um símbolo tão importante do nosso bairro e tão significativo para nossa cultura”, desabafou.
As investigações sobre o ocorrido seguem com a Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur), que também está situada no Centro Histórico. “O delegado ainda não tem pista do que motivou fazerem esse tipo de coisa com a estátua. Ele sugeriu uma bituca de cigarro, mas acho pouco provável ter sido isso”, declara Rita Santos que ainda desconfia de que o ato de vandalismo foi causado por intolerância religiosa.
TRADIÇÃO
Estas mulheres (baianas de acarajé), um dos ícones mais populares do país, que contribuem para a deliciosa culinária baiana têm a sua data especial, 25 de novembro, comemorado o Dia da Baiana de Acarajé, que desde 2004 são consideradas Patrimônio da Humanidade pelo Instituto do Patrimônio e Artístico Nacional (Iphan).
E também foram reconhecidas, em 2012, como Patrimônio Imaterial da Bahia e Patrimônio Cultural de Salvador. Todas fazem parte da Abam, entidade que regula esta profissão, que foi oficializada com o decreto de lei municipal de Salvador nº 12.175/1998. Dia 25 de novembro é uma data para homenagear a importância histórica e cultural destas mulheres, denominadas baiana de acarajé que se dedicam na produção e venda de uma das iguarias típicas mais famosas da Bahia e do país.
A classe comemora o seu dia com um desfile no Centro Histórico, pela manhã, embelezando as ruas com suas vestes brancas, mas com adereços de cor diferente, correspondente ao seu orixá protetor. E vão em direção à Igreja do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, por volta das 10 horas, onde assistem à missa em sua homenagem. Após a missa, às 11h30, as baianas e demais participantes da missa seguirão em cortejo pelas ruas do Pelourinho com destino ao Memorial das Baianas, localizado no Monumento da Cruz Caída.
por Tribuna da Bahia